Um gol a favor de um trânsito seguro no país

14/02/2014
Um gol a favor de um trânsito seguro no país

Há anos, o OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária vem discutindo a necessidade da melhoria na formação do condutor em todo país, de responsabilidade de todo o Sistema Nacional de Trânsito. Mas um, dentre outros temas de responsabilidade dos Detrans (Departamentos Estaduais de Trânsito) em que é possível analisar a fragilidade da formação do condutor brasileiro, é a questão da elaboração das provas teóricas aplicadas ao candidato. Atualmente, essas provas estão longe de auxiliarem no desenvolvimento de uma cultura de segurança viária nesse futuro motorista ou motociclista. A certeza disso é que as avaliações mais parecem uma formação de Agentes de Trânsito (fiscais), uma vez que grande parte das perguntas é focada em aspectos legais e administrativos do que, efetivamente, no verdadeiro conhecimento do risco de dirigir.

Como exemplo, podemos citar perguntas clássicas onde o candidato tem a única obrigação de memorizar o significado de placas de transito, como a A-1b “curva acentuada à direita”, ou a A-3b “pista sinuosa a direita”, ou, ainda, a A-4A “curva acentuada em ‘S’ à esquerda”; em vez de estimular o raciocínio logico daquele candidato, em conjunto com as lições tomadas nas autoescolas, para interpretá-las, aliando a sua interpretação à necessidade ou não de alguma atitude de segurança, no caso de alguma delas estar, na verdade, alertando sobre algum risco aparente que deva ser minimizado pelo condutor.

O mesmo é possível dizer sobre os ensinamentos quanto ao risco do uso do celular ao volante. Ao testar o conhecimento do candidato sobre o uso do celular e/ou outros dispositivos de distração enquanto o mesmo está dirigindo, as provas teóricas exigem apenas o conhecimento do aluno no que tange às penalidades eventualmente aplicáveis em caso de fiscalização (multa e pontuação). O ideal, mais uma vez, é estimular o raciocínio do candidato ao exigir do mesmo uma resposta sobre os reais riscos do uso do celular e outros aparelhos de distração dentro dos carros, não só para terceiros, mas para ele próprio e para os seus acompanhantes. Dessa forma, não há dúvidas que se estaria formando um condutor atento e prudente e, não assumindo um ato meramente formal ao permitir que o candidato cumpra as etapas do processo de obtenção da permissão de dirigir sem maiores desafios.

Assim, atento para a realidade brasileira, o OBSERVATÓRIO vem promovendo discussões e apresentando sugestões de mudanças no processo como um todo, desde o primeiro contato do candidato à permissão para dirigir com os CFCs (Curso de Formação do Condutor), até a sua reciclagem, no caso de perda dessa permissão, de forma a alcançar, junto com outras medidas, o aprimoramento da segurança viária nas ruas do nosso país.

Há muito o que melhorar, o trabalho é árduo, mas o Observatório não pode deixar de celebrar, como uma vitória da sociedade, o último anúncio feito pelo Detran-SP, órgão executivo de transito com a maior demanda mensal de alunos e expedição de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) desse país, em relação às mudanças nas provas que serão aplicadas aos futuros motoristas e motociclistas. Ufa! Enfim, uma atitude que parece pequena, ou meramente burocrática, mas, na verdade, em vista de seu caráter didático, se conduzida de forma coerente, poderá ter influência positiva no comprometimento do candidato e na obrigação das autoescolas aprimorarem as aulas e os temas nelas abordados, assumindo a posição de estabelecimento de aprendizagem que lhe cabe, já que o resultado de seus alunos poderá refletir diretamente na sua permanência no mercado. Pode ser o início de uma grande transformação.

Segundo declaração recente do próprio diretor-presidente do Detran de São Paulo, Daniel Annenberg, “as perguntas são muito subjetivas e não levam o candidato a compreender o significado das placas de sinalização. Isso faz com que as pessoas simplesmente decorem as respostas. Mais do que saber o nome das placas, é mais importante saber o que fazer diante delas" (http://www.segs.com.br/blog-noticias/alpha-categoria-veiculos.html). Isso demonstra que as análises e propostas apresentadas pelo OBSERVATÓRIO estão sendo ouvidas, motivando a continuidade e persistência deste trabalho.

Parabéns Detran-SP.

Sabrina Sacco

Diretora de Relações Institucionais

OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária

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  • Avatar de Alexandre Basileis
    Por Alexandre Basileis dia 18/02/14 às 15:30

    Já venho com esse pensamento a muito tempo e já ensinava os meus alunos a interpretar ações defensivas e não meramente memorizar uma placa pra saber se é uma curva acentuada ou não.

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    • Avatar de Alexandre Basileis
      Resposta de Aguiar Lima dia 19/02/14 às 09:58

      Olá Alexandre Basileis, concordo plenamente com você eu tenho que temos que mostrar ao aluno que não adianta decorar para ser aprovado mas que ele deve pensar nas implicações que seus atos podem causar ao Trânsito e as pessoas.Temos que incentivar sempre com ações inovadoras a busca do conhecimento e o aperfeiçoamento do conhecimento. Tenho certeza que a mudança na prova será de grande valia para o aluno e principalmente para o Trânsito mais seguro.

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