O papel da saúde pública para zerar as mortes no trânsito

27/01/2017
O papel da saúde pública para zerar as mortes no trânsito

Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

Existem lugares no mundo em que nenhuma morte relacionada a acidentes de trânsito é registrada em um ano inteiro. Em que notícias sobre fatalidades nas estradas quase não chocam mais. No Brasil, hoje, noticiar zero mortes no trânsito surpreenderia mais do que o contrário. Isso é resultado da irresponsabilidade ao volante, da falta de planejamento urbano e viário, de falhas nas leis de trânsito, entre outros motivos. O sistema viário atual influencia diretamente na saúde da população e apenas novas políticas públicas podem mudar esse cenário.

Com a ideia central de que “nenhuma morte é aceitável”, a Visão Zero é uma iniciativa concebida na Suécia em 1994 e transformada em lei três anos depois no país. Ela surgiu do entendimento de que apenas reduzir as mortes no trânsito não é suficiente. O objetivo e os esforços da Suécia são para chegar a zero fatalidades nas ruas e estradas. Conforme seus princípios, a mobilidade deve estar incluída no planejamento de saúde pública.

A política também salienta a responsabilidade do desenho viário nos acidentes e não apenas a do motorista. “Em qualquer situação uma pessoa pode falhar – o sistema viário não deveria”, diz um dos princípios da Visão Zero. O berço da iniciativa registra hoje 2,8 mortes a cada 100 mil habitantes. Graças ao sucesso do programa, foram abertos escritórios em mais de 60 países e a ideia gera inúmeras redes de trabalho.

Uma delas, a Vision Zero Network, dos Estados Unidos, realizou o estudo “O papel central da saúde pública na Visão Zero“, que analisa como três cidades – São Francisco, Nova York e Chicago – utilizam ferramentas de saúde pública para avançar seus esforços para erradicar as mortes no trânsito. Os três implementaram ações que podem ser replicadas no mundo todo.

São Francisco usou a tática de encontrar padrões: onde ocorrem as colisões, os fatores que as causam, os envolvidos, a severidade dos feridos etc. Para isso, a cidade criou um novo sistema de cadastro para os hospitais e a polícia registrarem os acidentes e suas particularidades. O plano de São Francisco garante que as lesões provocadas pelos acidentes possam ser analisadas de forma progressiva. Para Leilani Schwarcz, epidemiologista do programa, as cidades precisam agir para alcançar a meta do Visão Zero da mesma forma como trabalham para prevenir a propagação de uma doença infecciosa.

Em Chicago, mais de 130 organizações se uniram para criar o Healthy Chicago 2.0, um plano de quatro anos com metas e estratégias para guiar o Departamento de Saúde Pública da cidade. O trabalho é fundamentado no entendimento de que a saúde é influenciada por fatores que um médico nem sempre consegue tratar. Isso inclui o nível em que nos sentimos seguros e conectados em nossos bairros. O órgão executou todo o seu planejamento com a participação do departamento de transportes para alinhar os objetivos da Visão Zero em ambos. Hoje, a estratégia oficial de saúde pública de Chicago inclui a eliminação de lesões graves e fatalidades como elemento central para garantir a saúde de toda a população. O plano identifica os muitos fatores que fazem as ruas não seguras: violência, desenhos das vias que não acomodam todos os usuários, calçadas e vias com falhas de manutenção, entre outros.

A cidade de Nova York percebeu que alcançar a meta da Visão Zero envolvia muitas perguntas. Criou, então, um programa para articular as questões mais urgentes em relação à iniciativa Visão Zero. Organizado pelo Programa de Prevenção de Lesões e Violência do Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York, um grupo de trabalho que incluiu diferentes departamentos da cidade identificou quesitos diversos a serem pesquisados e situações em que as colisões possam não ser classificadas como acidentes, mas como eventos que poderiam ser evitados. A iniciativa fez a cidade identificar as prioridades de pesquisas e análises para os planos de Visão Zero e articular a área da saúde nesse trabalho.

Fonte: The City Fix Brasil, por

 

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