Mais segurança sobre duas rodas

10/04/2014
Mais segurança sobre duas rodas

Mais segurança sobre duas rodas

Hugo Leal *

 

 Um dos indicadores mais alarmantes da violência no trânsito diz respeito aos acidentes com motocicletas. Entre 2000 e 2011, a frota de motos no Brasil teve um crescimento expressivo de 357%, segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). Já as indenizações por morte envolvendo essa categoria de veículos cresceram 134%, chegando a 17.812 casos no ano passado. As indenizações por invalidez permanente cresceram 1.378%, alcançando 108.264 casos no período, segundo os índices do DPVAT.

 

  Chegou a hora de ampliar o debate no país sobre o risco de acidentes envolvendo motociclistas. Como presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro, tenho defendido o aumento da fiscalização sobre esse meio de transporte. Antes de mais nada, é preciso reforçar a exigência dos equipamentos obrigatórios. Há estimativas de que, em cada dez acidentes com motocicletas, sete resultam em vítimas com lesões. E quatro em cada dez leitos das unidades de terapia intensiva dos hospitais são ocupados por motociclistas acidentados.

 Em algumas regiões, o motociclista usa apenas um chinelo, uma bermuda, uma camiseta e um boné. Não podemos esquecer a obrigatoriedade do uso de capacete para o condutor e para o carona. Os capacetes devem possuir viseira protetora. Caso contrário, o condutor e o passageiro deverão portar óculos de segurança. O objetivo é proteger a cabeça nos choques decorrentes de acidentes.

  A moto precisa ter ainda espelho retrovisor do lado esquerdo fixado adequadamente, buzina e velocímetro. Os itens de segurança devem ser sempre examinados, quanto à sua existência, funcionamento, estado geral, dimensões, fixação e posicionamento.

 A motocicleta passou a ser o grande meio de locomoção nos grandes centros e nas cidades pequenas. No Norte e no Nordeste, já há a substituição de outros meios, como cavalo e charrete, por motos. Essa realidade impõe um conjunto de normas mais rígidas para reforçar a segurança do transporte  sobre duas rodas.

  Um passo importante neste sentido foi dado pela Câmara dos Deputados. A Comissão de Viação e Transportes aumentou a idade de crianças que podem ser levadas na garupa de motos. Hoje, a lei proíbe condutores de motos de transportarem crianças menores de sete de anos. A comissão aprovou o Projeto de Lei 6401/01, elevando a idade para 11 anos. Dos 11 aos 17 anos, para andarem como passageiros em motos, essas crianças e adolescentes terão que usar equipamento de segurança.

Para chegar ao texto final do projeto, procuramos especialistas, pediatras e ortopedistas que identificaram a necessidade de aumentar a idade das crianças que podem andar na garupa de motos. A Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) entende que, na garupa, não poderia ser menor de 16 anos, mas nós encontramos um meio-termo, já também qualificado pela linha científica, de que pode ser acima de 11 anos. Acredito que essas medidas vão reforçar a segurança  do trânsito, contribuindo para reduzir as trágicas estatísticas que envolvem motociclistas.

* Hugo Leal é deputado federal (Pros-RJ), autor da Lei Seca e presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro

 

 

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  • Avatar de Maria
    Por Maria dia 29/09/14 às 10:37

    Essa lei deveria ser melhor estudada, concordo que pode ser perigoso para a criança andar na garupa de uma moto, mas o que vcs deveriam ver, que muitos pais só possuem esse meio para fazer o transporte dos filhos, principalmente para a escola. E com essa lei como será feito isso. Acredito que quem usa a moto para transportar criança faz isso com o máximo de responsabilidade, ja que nenhum pai quer que seu filho se machuque. Acredito que o problema não seja somente elevar a idade do garupeiro, e sim fazer com que os motoristas em geral respeitem mais os motoqueiros e principalmente aqueles que o usam para fazer o transporte de crianças.

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