Especialistas defendem punição para motorista que usar drogas

23/11/2015
Especialistas defendem punição para motorista que usar drogas

A direção de veículos por motoristas sob efeito de anfetaminas, cocaína, maconha e outras drogas deve ser alvo de fiscalização e de sanções administrativas e criminais.

Esta posição foi defendida pelos especialistas que participaram do painel “Direção sob a influência de álcool e outras drogas” durante a 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados, encerrada nesta quinta-feira (19) em Brasília.

A coordenadora do painel, Maria Segui Gomez, diretora-geral de Trânsito da Espanha, disse que, para alcançar as metas previstas no Plano Global para a Década de Ações 2011-2020, os países devem adotar medidas severas para combater a direção sob influência de drogas ilícitas (além do álcool), e também o uso do celular ao volante, ao lado dos outros cinco fatores-chaves de risco definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo ela, algumas estatísticas mundiais já apontam que, além do uso do celular por motoristas ao volante, drogas que não o álcool também estão entre os fatores que levam a acidentes de trânsito fatais. Na Espanha, de acordo com Maria Gomez, o governo criou em 2013 grupos de fiscalização especializados na detecção do uso de outras drogas além do álcool nas estradas. A medida foi precedida de estudos visando a elevar a eficiência dos mecanismos de teste, além de extensão da fiscalização para qualquer horário do dia, durante a semana, incluindo testes de bafômetro em mães que levam crianças às escolas.

Já o gestor de segurança de trânsito nas rodovias federais dos Estados Unidos, Mark Rosekind, informou que um relatório recente alertou seu governo para o aumento de mortes provocadas por motoristas sob influência de outras drogas ilícitas. Segundo ele, nos últimos sete anos houve um aumento de 50% nos acidentes causados por motoristas sob influência da maconha, por exemplo, nas estradas americanas.

Ele criticou a liberação da maconha em algumas regiões dos Estados Unidos. “A segurança no trânsito não é levada em conta quando liberam o uso da maconha”, afirmou Rosekind, comentando que ainda são desconhecidos os níveis de privação dos sentidos que a maconha e outras drogas provocam nos motoristas. Em relação à influência negativa do álcool, o representante americano informou que, mesmo após 30 anos de monitoramento e sanções, um terço das vidas perdidas nas estradas dos EUA ainda tem como causa motoristas alcoolizados, sendo que 29% das vítimas fatais são jovens.

No Canadá, motoristas sob efeito do álcool matam quatro pessoas por dia, e deixam 175 pessoas feridas. Segundo Angeliki Souranis, presidente da Associação de Mães contra Motoristas Alcoolizados, que teve um filho vitimado por motorista embriagado em 2008, cerca de 34% das mortes no trânsito em seu país são associadas ao uso de álcool. Ela também manifestou preocupação para com a associação maconha/direção, pois, segundo ela, o governo canadense deve legalizar em breve o uso da cannabis.

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