Desrespeito ainda é grande após 20 anos do Código Brasileiro de Trânsito

23/01/2018

Mesmo com os esforços para tornar a lei mais dura, o número de mortes no trânsito continuou a crescer no Brasil.

O Código de Trânsito brasileiro completou nesta segunda-feira (22) 20 anos. Foi um avanço importante em termos de rigor na punição de infrações. Mas o desrespeito à lei ainda é enorme no país.

Uma mulher dirigia bêbada na noite de domingo (21), em Brasília. Segundo a PM, ela parou no meio da pista. Um carro que vinha atrás bateu. No carro, uma garrafa de uísque. O bafômetro acusou que ela estava com um índice de álcool três vezes maior do que já é considerado crime. E não tinha habilitação. Foi presa. Pagou fiança de R$ 2 mil e foi liberada.

Beber e dirigir passou a ser crime com o Código de Trânsito, em 1998. Dez anos depois, a Lei Seca aumentou a punição e diminuiu a tolerância.

A família de Maurício e Alessandra viveu as primeiras mudanças. Quando Maurício começou a dirigir, antes do código, o cinto de segurança nem era obrigatório. “A gente vai se adaptando e vendo que é uma coisa que realmente evitava muitas mortes, então, a gente acaba aceitando e vendo que é uma coisa positiva”, diz Maurício Duarte, gerente de projetos na área de TI.

Para o filho, Rafael, o cinto é hábito desde criança. Difícil mesmo é não pegar no celular enquanto está ao volante. “Está sempre chegando mensagem, mas tem que resistir, né?”, diz Rafael.

Celular, dirigir acima da velocidade, estacionar em local proibido, tudo passou a ser punido com mais rigor. Os exames médicos, que antes do código eram exigidos só para tirar a carteira de habilitação, passaram a ser renovados a cada cinco anos.

Mesmo com os esforços para tornar a lei mais dura, o número de mortes no trânsito continuou a crescer no Brasil. Foram mais de 35 mil mortes no último ano antes do código. Já no último balanço, foram mais de 37 mil mortes.

Davi Duarte, especialista em trânsito da Universidade de Brasília, afirma que, mesmo com o aumento da frota de veículos, o número de mortes em acidentes podia ter diminuído.

“A gente precisa implantar educação no trânsito; segundo, treinar melhor os motoristas; terceiro lugar, precisamos melhorar nossa frota de veículos, há muitos veículos velhos, sem segurança, circulando por aí. Precisamos ainda melhorar a fiscalização e terminar com essa grande impunidade que existe no Brasil em que o sujeito mata, atropela e paga com a cesta básica”.

Mudanças para um trânsito melhor. “Eu espero que, quando chegar o momento de o Gael começar a dirigir, que as pessoas estejam mais conscientes com relação à bebida e ao excesso de velocidade, que o trânsito seja mais seguro, mais tranquilo”, diz a confeiteira Alessandra Duarte.

Fonte: Jornal Nacional - Rede Globo.

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