Hugo Leal: Os nove anos da Lei Seca e os desafios do trânsito

Hugo Leal: Os nove anos da Lei Seca e os desafios do trânsito

Impactos vão além da redução do número de acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados — sobretudo nos estados onde operações de fiscalização são parte da rotina

Rio - A Lei Seca completa nove anos agora em junho. Apesar de ser uma legislação nova, vai alcançando maturidade após passar por série de questionamentos que a aperfeiçoaram. Os impactos da Lei Seca vão além da redução do número de acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados — sobretudo nos estados onde operações de fiscalização são parte da rotina.

Aqui no Rio, quando a Operação Lei Seca foi lançada, em 2009, 20% dos motoristas registravam bebida alcoólica no sangue. No ano passado, este índice caiu para 7%, fruto da conscientização provocada pela lei.

Em 2017, o Código Brasileiro de Trânsito completa 20 anos; duas décadas de uma legislação moderna que temos buscado aperfeiçoar no Congresso. O CTB foi importante para o trânsito no país ao garantir a melhoria da formação dos condutores, o melhor uso da tecnologia e punições mais severas.

O Código e seus aperfeiçoamentos — entre os quais a Lei Seca — não foram, entretanto, suficientes para fazer o Brasil avançar de maneira decisiva na área mais importante, a segurança viária. São ainda assustadores os números de mortes.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, 43.760 pessoas perderam a vida no asfalto, o que significa uma morte a cada 12 minutos. De acordo com o seguro DPVat, 595.693 vítimas de trânsito foram indenizadas nesse ano — 1.632 por dia. Segundo o Ipea, também em 2014, o custo estimado dos acidentes aos cofres públicos fica em R$ 56 bilhões ao ano. Infelizmente, o Brasil está longe de alcançar a meta estabelecida pela ONU de reduzir em 50% o número de vítimas do trânsito.

Fica claro que a segurança viária tornou-se o maior desafio para o trânsito e, portanto, é fundamental que, além das iniciativas legislativas, o Executivo trate o tema como prioridade. Isso não vai acontecer enquanto o trânsito, no governo federal, estiver sob um órgão de quarto escalão como o Denatran, subordinado ao Ministério das Cidades.

A União precisa de uma Agência Nacional de Segurança Viária, capaz de integrar ações dos ministérios (Saúde, Justiça, Cidades, Integração, Minas e Energia) e estabelecer metas de redução de vítimas para estados e municípios, determinando que parte dos recursos das multas só fosse liberado em caso de alcance de uma meta básica: salvar vidas. 

Hugo Leal é deputado federal pelo PSB e autor da Lei Seca.

Artigo publicado no Jornal O Dia em 27 de Junho de 2017.

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  • Avatar de Alexandre Basileis
    por Alexandre Basileis dia 24/02/14 às 10:30

    Mas quem cumpriu as regras? Nem 1% das autoescolas adquiriram os simuladores por conta de espaço físico e crédito na praça. Não há e nem foi feita qualquer pesquisa a respeito dos simuladores e não há obrigatoriedade em nenhum outro país. Conversei com amigo \"hermanos\" do trânsito das bandas de lá e ele me perguntou o que o Brasil pretende com essa obrigação.

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  • Avatar de Fatima Oliveira
    por Fatima Oliveira dia 20/02/14 às 19:48

    Enquanto o cidadão brasileiro não aprender respeitar Leis e exercer a cidadania, qualquer criatividade está sempre trazendo prejuizo para uns e vantagens para outros

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