Hugo Leal: 'Exame toxicológico veio para ficar'

Hugo Leal: 'Exame toxicológico veio para ficar'

Autor da Lei Seca e presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito, o deputado federal Hugo Leal (PSB/RJ) defendeu o exame toxicológico para motoristas profissionais como forma de garantir mais segurança, principalmente, nas estradas brasileiras. "Os primeiros resultados demonstram que o exame toxicológico preventivo veio para ficar e terá um impacto importante na redução do número de vítimas do trânsito", afirmou o parlamentar durante debate sobre a nova legislação promovido pelo jornal O Globo e pelo Instituto de Tecnologias para o Trânsito Seguro, no Salão Nobre do Edifício da Bolsa de Valores, no Centro do Rio.

Participaram também do seminário 'A importância do Exame Toxicológico Preventivo para a Segurança no Trânsito' o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Instituto de Tecnologias para o Trânsito Seguro, Marcio Liberbaum, o diretor-geral do Denatran , Elmer Vicenzi, do presidente da Associação Nacional dos Detrans, Marcos Traad, e o presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz, entre outros especialistas.

A exigência do exame toxicológico preventivo - feito a partir de análise do cabelo - para quem vai tirar, adicionar ou renovar carteira de habilitação nas categorias C, D e E (motoristas de caminhões ou de transporte coletivo de passageiros) faz parte da Lei 13.103, de 2015, conhecida como Lei dos Caminhoneiros. Hugo Leal criticou a legislação por aumentar a carga de trabalho dos caminhoneiros - "uma das razões para o uso de drogas psicoativas ao volante" - mas defendeu o teste preventivo. "Vejo essa nova legislação sobre os exames toxicológicos para motoristas profissionais como um desdobramento da Lei Seca, mais uma iniciativa nesta área em que precisamos estar sempre avançando, sempre na direção de um tr& acirc;nsito mais humano e mais seguro", afirmou o autor da Lei Seca.

Os números ajudam a mostrar o tamanho do problema e o caminho da solução. De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, os veículos pesados, que representam apenas 4% da frota nacional, estão envolvidos em 51% dos acidentes fatais (43% com caminhões e 8% com ônibus). No Paraná, primeiro estado a adotar o exame toxicológico, no começo de 2016, o número de acidentes com esses veículos na estrada caiu 23% em nove meses, de janeiro a setembro, comparado com o mesmo período em 2015.

O presidente do ITTS destacou que, dos 635 mil motoristas profissionais esperados para renovar a carteira, mais de 210 mil (cerca de 33%) não apareceram para fazer a renovação ou migraram para as categorias em que não há exigência do exame. "Os primeiros resultados mostram um acerto da lei com a mudança de comportamento. Em apenas seis meses, 33,4% dos motoristas não renovaram as carteiras e 11% deles migraram para as categorias A e B. Mas é significativo que 24% simplesmente não renovaram”, disse Marcio Liberbaum.

O deputado Hugo Leal lembrou que a Lei Seca, em seus oito anos, provocou impacto não apenas na redução do número de vítimas do trânsito mas também no comportamento das pessoas. "É possível constatar que há uma conscientização cada vez maior e principalmente dos mais jovens", disse o parlamentar. "Creio que esses dados apontam na mesma direção. A legislação ganha força na medida em que provoca uma mudança no comportamento dos condutores e de seus contratantes", acrescentou o autor da Lei Seca.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também participou do seminário

Comente isso! Comentar

  • Não existem comentários ainda, clique em comentar e seja o primeiro!